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21/08/2008

Yes, Nós Somos de Esquerda

Olavo de Carvalho no Direto do Abismo

























Sem medo de ser felizes fomos à Pequim e reeditamos nos jogos nossos fracassos


Em poucas palavras Jean-François Revel, no prefácio da magistral obra de Carlos Rangel, Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário, mostrou a trajetória de séculos da América Latina: “A história da América Latina prolonga a contradição que lhe deu origem. Oscila entre as falsas revoluções e as ditaduras anárquicas, a corrupção e a miséria, a ineficácia e o nacionalismo exacerbado”.

Sem dúvida, essa apropriada análise feita por Revel, em 1976, não se alterou em essência. E é uma realidade da qual o Brasil, com algumas nuanças e diferenças, também faz parte.

Essa história de fracassos e frustrações é confrontada com uma humilhação adicional: o êxito quase indecente para os latino-americanos, dos Estados Unidos. Acrescente-se que a incapacidade para construir Estados democráticos modernos e economias prósperas conduziu a América Latina à tendências revolucionárias, muitas de cunho esquerdista e capitaneadas por lideranças populistas, que trouxeram a seus países mais fracasso e miséria.

Para citar alguns exemplos lembremo-nos da revolução mexicana de 1911, do socialismo peruano de 1969-1974, do justicialismo peronista que arruinou a então próspera Argentina e a mais marcante de todas: a revolução cubana que destruiu a economia da Ilha e a manteve sob o totalitarismo implacável de Fidel Castro. Este, porém, se tornou o símbolo da desforra contra os Estados Unidos e, apesar das atrocidades que cometeu contra os que ousaram contestar seus métodos soviéticos, encarnou o mito do “bom revolucionário”, a figura que encanta o imaginário coletivo latino-americano, ou seja, uma espécie de D. Quixote do comunismo de terceiro-mundo, enquanto o sanguinário e psicopata Che Guevara é até hoje louvado um Cristo laico.
Fidel foi e é a desforra contra o sucesso insuportável dos Estados Unidos. Por isso, yes, orgulhosamente somos todos de esquerda, o que inclui o glorioso governo petista. O maldito império norte-americano só serve para fazermos cursos, turismo, tratamento de saúde, compras. Milhões de brasileiros se evadem para lá viver, trabalhar, ganhar em dólar, esse excremento do diabo. Mas não sabemos o porquê disto já que o Brasil de hoje, sob o governo de Lula da Silva, se converteu num paraíso onde o trabalho é abundante, só existem classes alta e média e a Saúde e a Educação são exemplos magníficos para o mundo.

No momento a grande sensação é a Olimpíada de Pequim. Afinal, a China encarna um império de esquerda. Á bem da verdade a China é capitalista na economia e comunista na política, modelo sonhado para nós pelo ex-revolucionário teórico, ex-ministro, ex-deputado e ainda todo-poderoso das sombras, José Dirceu. Quem sabe chegamos lá no terceiro mandado.

Portanto, não importa se a China viola direitos humanos com sua tradicional crueldade. Também não interessa se a China, com milhares de execuções por ano, é responsável por mais da metade das execuções que ocorrem em todo planeta, se deixa bebês do sexo feminino morrendo nas sarjetas, se tortura crianças desde bem pequenas para que se tornem os atletas perfeitos das Olimpíadas com um falso sorriso afivelado no rosto.

O trajeto da tocha olímpica pelo mundo foi marcado por protestos, especialmente com relação ao Tibete, o que para brasileiros deve ter soado como algo desconhecido ou sem interesse. Será que algum compatriota se perguntou diante da repressão chinesa aos protestos em prol do Tibete, pelo menos porque diabos aquilo estava acontecendo?

Poucos no Brasil devem saber que no Tibete o genocídio perpetrado pelos chineses foi marcado por requintes de atrocidade sinistra e as mortes violentas atingiram uma proporção mais numerosa do que em qualquer outro território do conjunto chinês. Segundo o Dalai-Lama, “os tibetanos não foram apenas fuzilados, foram espancados até a morte, crucificados, queimados vivos, afogados, mutilados, mortos por inanição, estrangulados, enforcados, cozidos em água fervente, enterrados vivos, esquartejados ou decapitados” (O Livro Negro do Comunismo). Também, centenas de milhares de tibetanos tornaram-se prisioneiros em campos de concentração e mais de 170.000 morreram no cativeiro. Além disto, houve o genocídio cultural com a destruição de templos e de seus manuscritos seculares, afrescos, estátuas, relíquias, tudo destroçados pela brutalidade chinesa.

Os protestos havidos durante a passagem da tocha, que no Brasil não veio, tentaram relembrar ao mundo esses horrores e os infelizes tibetanos que ainda vivem subjugados no seu país de neve e de deuses. Isto, porém, não nos interessa porque, yes, nós somos de esquerda. Sem medo de ser felizes fomos à Pequim e reeditamos nos jogos nossos fracassos e frustrações históricos expressos nos pífios resultados obtidos.
Maria Lúcia Victor Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino". Criadora do Departamento de Desenvolvimento Social em sua passagem pela Companhia de Habitação de Londrina. É autora de obras como "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto: A Ética da Malandragem" e "América Latina: Em Busca do Paraíso Perdido".
Site: www.parlata.com.br

Veja também uma importante entrevista com Maria Lúcia no Direto do Abismo
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15/08/2008

O dragão chinês



















A milenar China, no leste da Ásia, influenciada por três grandes correntes filosóficas (Confucionismo, Taoismo, Budismo) é um país gigantesco que abriga 8 tipos de clima. Sempre rodeada de mistérios e lendas, a China é uma cruel ditadura capitalista que, por força da globalização, se vê obrigada a também se abrir para os mercados externos.

A China não está para brincadeiras. Com 56 etnias reconhecidas oficialmente, segundo pesquisas sérias apontam, hoje, na China, existem algo em torno de 42 milhões de pequenas empresas, representando 99% das empresas nacionais chinesas. Enquanto o Brasil, por obra e (des) graça do governo Lula e “companheiros” do PT, já descamba para o 15º lugar no ranking na economia mundial , a China ocupa o 4º lugar em termos de economia globalizada.

Embora a pirataria chinesa continue sendo uma afronta mundial, o governo chinês está apertando o cerco contra esses piratas. Há uma marcha célere para que os produtos chineses atinjam o patamar Top of Quality . E sabem qual é a ironia disso tudo? É que os chineses, para dotar suas indústrias de processos que garantam a qualidade, foram buscar a metodologia japonesa de qualidade! Acredite quem quiser, mas o Programa 5s de Qualidade é largamente adotado pela indústria chinesa. Perceberam a diferença e a ousadia dos chineses?

Dá para competir com os caras? A resposta é ... Sim ! O entrave maior, porém, está dentro do próprio Brasil, pois o custo astronômico para sustentar a máquina ineficaz do (des)governo brasileiro é insuportável, além de a sociedade não mais agüentar ser tungada pela corrupção já endêmica que coloca a Nação de joelhos.

Não adianta o (des)governo inventar o Super Simples (que de simples não tem nada), achando que, agora, as empresas serão mais competitivas. Sem uma ampla e irrestrita reforma fiscal, política e ética na condução de um verdadeiro Estado de Direito, sob a liderança de dirigentes acima de quaisquer suspeitas, o Brasil dificilmente se alinhará às nações de primeira constelação.

O Dragão Chinês , embora soltando fogo pelas ventas, pode ser convidado a dançar samba aqui ou no seu próprio terreiro, desde que o convite seja respeitoso, ético, e que a gente nunca esqueça de que um dragão será sempre um dragão.

Não custa lembrar, por fim, que, apesar de toda a maquiagem que o governo chinês faz da sua própria imagem para mostrar ao mundo um rosto mais “suave”, a China é uma ditadura feroz, que rouba o bem maior de todo ser humano: a sua liberdade.

Luiz Oliveira Rios é orientador de estratégias empresariais oliveira.rios@hotmail.com
Por Luiz Oliveira Rios no Diário do Comércio

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O Dragão Olímpico

Hoje começam os jogos olímpicos de 2008. A competição esportiva é extremamente saudável, além de desafiar os limites humanos, incentivando os atletas a romper barreiras. Mas o esporte tem outro lado mais perigoso. Ele pode ser usado para desviar a atenção das massas dos assuntos políticos, o antigo “pão e circo” que tinha no Coliseu seu ícone romano. O povo, distraído com os jogos, ignora os temas políticos. E como o historiador Arnold Toynbee já tinha alertado, “o maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”. O nacionalismo, que sempre demanda inimigos externos, acaba adicionando mais lenha na fogueira, transformando a disputa esportiva numa guerra tribal, interessante apenas para os governantes de cada país.

As Olimpíadas desse ano contam com um problema adicional: sua localização. A China foi escolhida para realizar os jogos. Um erro diplomático, em minha opinião. A revista britânica The Economist chegou a tratar desse problema em matéria de capa, argumentando que as Olimpíadas vão atrasar as conquistas por maior liberdade no país, que infelizmente ainda vive sob uma ditadura. Os avanços chineses têm ocorrido a despeito dos jogos, não por causa deles. O Partido Comunista Chinês, ao abandonar sua ideologia no campo econômico, precisa legitimar seu controle político de alguma forma, para sobreviver. O “orgulho nacionalista” tem sido um importante aliado da ditadura nesse sentido.

Além disso, como explica Ellen Bork, da Freedom House, em artigo no The Wall Street Jornal, a justificativa da segurança nos jogos olímpicos tem sido utilizada pelo governo chinês para avançar mais sobre as liberdades individuais. Quando tudo acabar e os turistas forem embora, o governo não terá incentivo algum para relaxar o controle. Ao contrário, a sua capacidade de repressão estará fortalecida por causa dos jogos. Regimes comunistas sempre tentaram enganar os estrangeiros com propagandas mentirosas. A impressão que as Olimpíadas podem deixar em muitos turistas poderá ser totalmente falsa em relação ao regime opressor que ainda existe na China. Se isto acontecer, não importa qual país consiga maior quantidade de medalhas de ouro: o grande perdedor terá sido o próprio povo chinês.
Rodrigo Constantino


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10/08/2008

Censura Hackeada
















Grupo hacker cria pen drive que derruba censura da internet chinesa
Acesso à rede é restrito no país, que recebe as Olimpíadas até o dia 24.
Sistema vendido por alemães distribui tráfego por computadores em todo o mundo.
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Uma equipe de hackers da Alemanha criou uma solução fácil para driblar o chamado "grande firewall da China", sistema utilizado pelo governo chinês para censurar o acesso a algumas páginas da internet no país.

Batizado de 'Freedom Stick', trata-se de um pen drive carregado com programas que redirecionam o tráfego na internet por diversos computadores em todo o mundo, evitando que o usuário seja identificado pelo governo chinês.

O pen drive,é vendido por 20 euros (cerca de R$ 50) pelo "Chaos Computer Club", da Alemanha, utiliza um programa disponível gratuitamente na rede, o 'The Onion Router' (TOR).



O programa utiliza sistemas de rede privada (VPN) para 'enganar' a censura chinesa. O mesmo programa é usado em outros países que restrigem o uso da internet, como os Emirados Árabes Unidos.

De acordo com o Chaos Computer Club, a vantagem do 'Freedom Stick' é que o TOR já vem configurado para ser usado na rede chinesa. O pen drive será vendido apenas durante as duas semanas dos Jogos Olímpicos de Pequim, já que, segundo os hackers, a intenção é facilitar a divulgação de informações no período em que a atenção de todo o mundo está voltada para a China.
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