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20/11/2008

OBA,OBA , OBAMA



























A eleição de Obama fez desaparecer o feroz e odiento antiamericanismo


Nesse momento difícil de sua economia, os norte-americanos ouviram de Barack Houssein Obama o discurso que os fez sonhar novamente sonhos de prosperidade, apesar do candidato não apresentar propostas consistentes no sentido de resolver os enormes desafios que o país apresenta. E diante do descontentamento popular com relação ao presidente Bush, a palavra mudança, prometida várias vezes pelo democrata, soou como esperança.

Obama conquistou principalmente os negros, os hispânicos, as mulheres, os jovens, sendo que o crescimento urbano e da imigração foram também fatores que favoreceram sua eleição. O democrata atraiu, inclusive, parcelas de eleitores mais conservadores e, por isso, disse um de seus eleitores ilustres, Colin Powell, ex-secretário de Estado dos EUA: “O que Obama fez foi incluir todos através de linhas raciais, culturais, religiosas e de geração”.

A capacidade de incluir tantos setores da sociedade se deveu em parte ao discurso sem tom racial, em que pese 95% dos negros terem votaram em Obama. Na verdade, o que o presidente eleito fará pelos negros, principalmente os mais pobres, ainda não se sabe. Mas, sem dúvida, o mulato que chegou ao poder mais alto da Nação encarna a revanche de um passado de segregação que no presente se traduz por um racismo às avessas: o ódio dos negros aos brancos.

Barack Obama provocou emoção em todo mundo. A Europa, que achava que o poder dos Estados Unidos definhava diante da ascensão econômica da China, da Rússia e da Índia ficou deslumbrada e tranqüilizada diante da possibilidade de reforço do poder da pátria da democracia.

Na América Latina, inclusive no Brasil, além do teor emocional ligado à cor da pele do candidato, a “obamamania” teve caráter ideológico. Acredita-se que Obama seja comunista. Nesse sentido é emblemático que o historiador Joel Rufino dos Santos relembre Marx e sonhe utopicamente com um comunismo norte-americano: “Acho que o velho (filósofo e teórico do comunismo Karl) Marx de vez em quando deve ser lembrado. Ali (Estados Unidos) é onde pode ter um socialismo realmente democrático. Porque a economia é mais desenvolvida e o povo tem mais tradição de respeito ao outro”. (Folha de S. Paulo. 6/11/2008). Certamente o historiador não se lembra do fato de que as idéias de Marx postas em prática geraram aberrações totalitárias que nivelaram por baixo na opressão e na miséria.

Em todo caso, foi impressionante como a eleição de Obama fez desaparecer como num passe de mágica em todo mundo e, sobretudo, na América Latina, o feroz e odiento antiamericanismo que culpa os Estados Unidos por todas as nossas mazelas e fracassos. Agora se espera uma nova ordem mundial, uma nova era e mesmo antes da posse Obama já é visto como presidente de fato do qual se aguarda mudanças rápidas

Na América do Sul o oba, oba Obama se alastrou por todos os países. Mesmo Hugo Chávez, o criador do nebuloso Socialismo do século XXI, que não consegue discursar sem atacar violentamente os Estados Unidos, e seus companheiros do “Eixinho do Mal”, Evo Morales e Rafael Correa, pareciam deslumbrados com a eleição “de um afro-descendente para a cabeça da nação mais poderosa do Mundo”. Enquanto isso, Lula da Silva, se revestindo de grande líder latino-americano e mundial mandava seus pedidos para Papai Noel Obama: uma política mais ativa em relação à América Latina, o fim do embargo norte-americano a Cuba e a resolução do conflito do Oriente Médio.

Barack Hussein Obama, que terá imensos obstáculos pela frente, é um homem de esquerda, ou seja, um liberal conforme entendem os norte-americanos. Forçosamente, dada a situação em que o país se encontra, terá que ampliar um pouco o poder do Estado, algo que não é da tradição norte-americana. Ele prometeu coisas como apoiar uma lei federal que facilitará a sindicalização dos trabalhadores e quer ampliar também através da legislação, a cobertura de saúde para 50 milhões de americanos que ainda não dispõe disto. Contudo, não se sabe como ele se comportará diante da Rússia, da China, do Irã, da esquerda latino-americana. Mas pelo menos em seu discurso de posse ele mandou recados eloqüentes para o mundo:

Avisou que: “o caminho será longo. Nossa subida íngreme. Nós talvez não cheguemos lá em um ano ou mesmo em um mandato”. Mas reafirmou aquele espírito norte-americano que passa bem longe da mentalidade brasileira:
“Àqueles que querem destruir o nosso mundo: nós os derrotaremos. Áqueles que buscam paz e segurança: nós os apoiaremos. E a todos que vêm se perguntando se o farol da América ainda brilha como antes: nesta noite nós provamos mais uma vez que a verdadeira força da nossa nação não vem da bravura das nossas armas ou do tamanho da nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança”. Ao final do discurso, Obama repetiu seu refrão e a multidão bradou com ele: “Sim, nós podemos”.

Os obstáculos do novo presidente são tão grandes quanto as expectativas que se criaram em torno dele e só o tempo dirá o que pode acontecer nos Estados Unidos e no mundo. Afinal, políticos costumam ser metamorfoses ambulantes.


Maria Lúcia Victor Barbosa
Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino". Criadora do Departamento de Desenvolvimento Social em sua passagem pela Companhia de Habitação de Londrina. É autora de obras como "O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto: A Ética da Malandragem" e "América Latina: Em Busca do Paraíso Perdido".
Site: www.parlata.com.br
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17/11/2008

A Doença do Sistema de Saúde
















“A mudança mais importante que o controle extensivo do governo produz é uma mudança psicológica, uma alteração no caráter das pessoas.” (Hayek)

Como um obstetra que realizou mais de quatro mil partos, o senador Ron Paul conhece de perto os problemas do sistema americano de saúde pública. Em sua análise, o escalonamento dos problemas começou quando a idéia de que todos podem ter um excelente tratamento “grátis” ganhou força. A realidade econômica simplesmente não comporta tantas promessas feitas pelo welfare state. Nos cálculos de Ron Paul, os passivos a descoberto do sistema previdenciário e de saúde nos Estados Unidos somarão US$ 50 trilhões nas próximas décadas. Se as tendências recentes continuarem, em 2040 o orçamento federal inteiro será consumido pela Previdência Social e o Medicare. A conta não fecha.

Normalmente, o debate sobre esse delicado tema envolve muita emoção, mas pouca razão. A discussão é apresentada como uma disputa entre as almas generosas que desejam cuidar de seus companheiros de um lado, e misantropos egoístas que não ligam para o sofrimento alheio do outro. Essa é uma caricatura absurda e oportunista. O duro fato que precisa ser enfrentado é que simplesmente não existem os recursos suficientes para sustentar esses generosos programas de governo no longo prazo. Negar este fato não irá ajudar em nada aqueles que dependem do sistema público de saúde. Ao contrário, a degradação dos hospitais públicos e o encarecimento dos remédios e tratamentos médicos colocam os mais pobres numa situação extremamente delicada.

Um dos pontos mais importantes para Ron Paul pode ser resumido na epígrafe de Hayek acima. Quando o governo resolve controlar demais as coisas, inclusive atos de caridade que sempre ocorreram de forma voluntária, ele acaba produzindo um efeito indesejado no caráter das pessoas. Ron Paul questiona quantos médicos estariam praticando tarefas voluntárias se não houvesse tanta intervenção do governo no setor. Uma grave conseqüência do welfare state é justamente a mentalidade de que não precisamos praticar atos de caridade, pois alguém já faz isso por nós – e cobrando pesados impostos para tanto. Antes do crescimento assustador do Estado de Bem-Estar social, a norma sempre foi a prática de medicina grátis por parte de inúmeros médicos. Mas as pessoas perderam a crença de que a liberdade funciona, pois ninguém mais consegue conceber como pessoas livres poderiam solucionar problemas sem o uso de ameaças de violência – que é a essência das soluções através do governo. Atualmente, todos encaram com naturalidade a “solidariedade compulsória” através do governo.

Ron Paul lamenta o quão rápido se esqueceu que os Estados Unidos já foram o ícone do sistema de saúde eficiente no mundo, o motivo da inveja de muitos outros países. Os americanos tinham os melhores médicos e hospitais, e os pacientes recebiam tratamentos de alta qualidade por custos acessíveis, enquanto várias entidades privadas de caridade forneciam serviços de saúde para os mais pobres. Os seguros de saúde existiam para os casos mais raros, como deve ser a função de um seguro, e pagavam em dinheiro as visitas rotineiras aos médicos. A idéia de um seguro é justamente proteger contra uma catástrofe imprevista, tal como uma enchente, um incêndio, um acidente ou uma doença mais grave. Claramente algo está errado com o sistema quando nós precisamos de seguro para visitas de rotina ao médico, totalmente previsíveis e parte de nossas vidas. Essa mudança é fruto da interferência estatal no setor.

Quando os hospitais e médicos competem pelos clientes, eles devem focar sempre no melhor atendimento para o menor custo, como qualquer outro serviço. A idéia de que com saúde essa lógica não mais se aplica tem sido mortal para o setor. Afinal, quando terceiros pagam a conta, não há mais interesse em cobrar menos, mas sim em cobrar o máximo possível. Não é o cliente mesmo quem está arcando diretamente com os custos. Além disso, o setor sempre foi alvo das promessas populistas dos governos e, portanto, um dos primeiros a receber recursos provenientes das políticas inflacionárias. O governo imprime moeda para gastar, e gasta com o sistema de saúde, gerando inflação no setor, que acaba prejudicando os mais pobres.

O modelo de impostos também gera grandes distorções ao permitir a redução dos tributos para o empregador, mas não para os indivíduos que compram diretamente um seguro de saúde. Para piorar a situação, o Health Maintenance Organization Act de 1973 forçou quase todos os empregadores a oferecer planos de saúde para seus empregados. O resultado disso foi o casamento entre emprego e seguro-saúde, que deixa os desempregados sem a necessária cobertura para catástrofes. No fundo, este tipo de imposição legal costuma seguir sempre a mesma lógica: protege o status quo à custa dos demais, garantindo privilégios para quem já está empregado. Não seria maravilhoso se a empresa fosse obrigada a oferecer plano de saúde completo para todos, creches para os filhos dos empregados, academias de ginástica para seus funcionários, vale-transporte, vale-refeição, vale-alimentação, etc.? E tudo isso, naturalmente, sem redução dos salários! Sim, seria maravilhoso, se fosse tão simples, e se as leis econômicas pudessem ser alteradas por decreto estatal. Mas se fosse esse o caso, era mais fácil o governo decretar que todos estão ricos logo de uma vez!

Na prática, essas intervenções estatais no setor de saúde acabam gerando uma deterioração na qualidade dos serviços, com o concomitante aumento de custos. Ron Paul sugere que todos analisem como os veteranos de guerra são tratados nos hospitais públicos para esse fim específico. Se os heróis americanos são tratados dessa forma lamentável, o que esperar para os cidadãos comuns? A solução para esses males, segundo Ron Paul, é simplesmente tirar o governo do setor de saúde, que era bem mais acessível e eficiente antes dele se meter tanto. O sistema de saúde americano está doente. E a causa é um vírus chamado vulgus politicus. Está na hora de atacar esse vírus e resgatar a boa saúde do sistema.

Rodrigo Constantino

Economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças no IBMEC, trabalha no mercado financeiro desde 1997, como analista de empresas e depois administrador de portfolio. Autor de dois livros: Prisioneiros da Liberdade, e Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT, pela editora Soler. Está lançando o terceiro livro sobre as idéias de Ayn Rand, pela Documenta Histórica Editora. Membro fundador do Instituto Millenium. Articulista nos sites Diego Casagrande e Ratio pro Libertas, assim como para os Institutos Millenium e Liberal. Escreve para a Revista Voto-RS também. Possui um blog para a divulgação de seus artigos
Site: http://rodrigoconstantino.blogspot.com
E-mail: constantino.rodrigo@gmail.com
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