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19/08/2008

Estado de miedo


















Brasil: "Estado de miedo", globos de ensayo y conformismo

El problema del conformismo con relación a actuales gobiernos latinoamericanos de centroizquierda, como el de Lula en Brasil, de Bachelet en Chile, de Vázquez en Uruguay y de Lugo en Paraguay es decisivo para el futuro de la libertad en el continente.

1. En Brasil, recientes y espectaculares operaciones de la Policía Federal deteniendo y esposando a empresarios, e invadiendo propiedades rurales sin mandatos judiciales en el Estado federal de Roraima, encendieron luces de alarma en medios judiciales, políticos y periodísticos. Uno de los aspectos más preocupantes en torno de estos casos es que la Policía Federal depende directamente del ministro de Justicia, Dr. Tarso Genro, quien acaba de enorgullecerse públicamente de su pasado guerrillero y de levantar la posibilidad de reabrir juicios contra militares, que ya habían sido cerrados por una ley de amnistía.

2. El presidente del Supremo Tribunal Judicial (STJ), Dr. Gilmar Mendes, planteó la necesidad de instituir controles efectivos sobre las acciones policiales; advirtió que a través de esas acciones, que incluyen filtraciones tendenciosas a la prensa sobre las investigaciones, se establece "un control ideológico y muchas veces psicológico" sobre los jueces; y concluyó diciendo que "no existe en la historia del mundo, en la historia universal, ningún ejemplo de países que hayan conseguido preservar la democracia después de haber transformado a la policía en un poder", porque "donde la policía se transformó en poder, la democracia murió".

3. En el mismo sentido, el presidente de la Orden de Abogados del Brasil (OAB), Dr. Cezar Britto, constató que por causa, entre otras razones, de esa hipertrofia del poder policial, que depende directamente del Poder Ejecutivo, existe en ese país sudamericano un "Estado de miedo que alcanza a todos" y que por ello "nadie quiere decidir nada, nadie quiere hacer nada, con miedo de ser acusado al día siguiente de ser un criminal potencial".

4. Según observadores políticos, el presidente Lula usa ese tipo de episodios como "globos de ensayo" sobre temas espinosos, para sentir la reacción, o la falta de ellas, de la sociedad civil. "Si el asunto es aceptado sin problemas, el gobierno avanza; si despierta rechazo, el gobierno retrocede", explicó la periodista Vera Rosa, desde Brasilia.

En más de una ocasión, debates sumamente incómodos para el gobierno de centroizquierda del presidente Lula fueron absorbidos mediante un misterioso "conformismo social y político" que hasta hoy está prevaleciendo en amplios sectores de la sociedad brasileña.

5. Véase por ejemplo de qué manera evolucionó sin pena ni gloria, en un lapso de pocos días, el debate sobre la polémica actitud del ministro Tarso Genro enorgulleciéndose públicamente de su pasado guerrillero y levantando la posibilidad de reabrir juicios contra militares.


















Después de un primer momento de efervescencia, Lula tomó la iniciativa de adoptar una actitud contemporizadora, ordenó a su ministro que no tocase más en el tema de la ley de amnistía y consiguió tranquilizar a los comandantes militares, quienes dieron el debate como "terminado". No obstante, el mismo día en que conseguía neutralizar las efervescencias, el moderado presidente brasileño se encargaba, de manera sorprendente, de dar la última palabra en favor de la izquierda, declarando que los "estudiantes" y "obreros" muertos durante el régimen militar deberían ser transformados en "mártires" y "héroes", de manera similar a lo que ocurrió con los militantes de izquierda en la Nicaragua del Frente Sandinista y en la Cuba de Fidel Castro.

6. El gobierno lulista sobrevivirá políticamente en la medida en que continúe estimulando el conformismo social y otras formas de anestesia psicológica, para obener un deslizamiento gradual de las mentalidades hacia las nuevas formas de izquierda, cuyos engañosos paradigmas, surgidos en el Foro Social Mundial (FSM) son la "diversidad" y la "transversalidad" (ver abajo editoriales anteriores sobre este tema). Por su parte, los opositores del lulismo podrán ganar terreno en la medida en que consigan remover o, por lo menos, atenuar esos fenómenos paralizantes.

7. El problema del conformismo con relación a actuales gobiernos latinoamericanos de centroizquierda, como el de Lula en Brasil, de Bachelet en Chile, de Vázquez en Uruguay y de Lugo en Paraguay, e inclusive de izquierda más radical, como el de Chávez en Venezuela, Morales, en Bolivia y Correa, en Ecuador, es decisivo para el futuro de la libertad en el continente. Sociólogos, politólogos, periodistas y cientistas sociales en general deberían estudiar en profundidad ese fenómeno, para encontrar los mecanismos psicológicos que producen el conformismo y la anestesia, paralizando las sanas reacciones que muchas veces se producen con intensidad en un primer momento, para despúes disolverse gradualmente en la modorra y en la despreocupación.
Martha Colmenares e também em CubDest


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19/07/2008

ZORRA TOTAL

















por Maria Lucia Victor Barbosa
Se a corrupção no Brasil tem uma longa história, a ponto de se tornar um elemento cultural, uma visão de mundo que permeia a sociedade de alto a baixo, tudo indica que agora chegamos ao clímax dessa mazela que, na verdade, se constitui um dos empecilhos ao nosso desenvolvimento.

O mais recente escândalo, que envolve figuras da cúpula política e econômica, e está presente no caso do banqueiro Daniel Valente Dantas, desnuda a zorra total em que se converteu o mais alto comando do país e é indicativo do grau de imoralidade pública a que se chegou. Se bem que os negócios escusos já tinham suas ramificações em governos anteriores, estão bastante acentuados desde 2003 e viriam à luz se não fossem abafados pelo Executivo.

Afinal, o caso Dantas ficou rente ao promissor Lulinha que, para orgulho de seu pai está tendo uma carreira, digamos, “empresarial” vertiginosa. Colou de forma inconveniente no companheiro mais chegado do presidente da República, seu chefe de gabinete Gilberto de Carvalho. Chegou perto demais do braço direito de Sua Excelência, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, indicada, pelo menos por enquanto pelo próprio Lula da Silva para sucedê-lo. Mostrou ligações perigosas com o ainda poderoso José Dirceu. Envolveu outros devotados colaboradores do presidente e do governo do PT, entre os quais, o dedicado compadre Roberto Teixeira, o ex-deputado federal petista Luiz Eduardo Greenhalg, o ex-ministro Luiz Gushiken, o colaborador do PT Marcos Valério, o exótico ministro Mangabeira Unger, sem falar em deputados, senadores, personalidades, empresas.

Para manter as aparências éticas, que o PT gostava de ostentar no passado, o presidente Lula da Silva apareceu diante de câmaras e microfones para dar um carão no delegado Protógenes Queiroz, responsável pelas prisões do banqueiro. Protógenes foi afastado do caso pela PF, ou seja, em última instância pelo próprio governo, mas Lula da Silva chamou Protógenes de mentiroso e disse que moralmente ele tinha que permanecer no cargo. Mais um espetáculo da política, é claro.

A bem da verdade, a prisão de Dantas, algemado, efetuada de modo espetacular e devidamente televisionada, e de mais dezesseis pessoas, entre elas, Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta teve lances de Estado Policialesco. Parece que o delegado reconheceu seus erros e exageros, mas supôs que não seria defenestrado.

O problema, porém, não se circunscreve ás trapalhadas do delegado ou a inconveniência do processo para a classe dominante. A questão mais grave está na crise sem precedentes que o caso gerou no Judiciário, algo que num país sério teria outros desdobramentos.

Dantas foi preso e solto duas vezes em uma semana, o que fez com que a Operação da polícia, denominada de Satiagraha, fosse jocosamente denominada de solta e agarra. O banqueiro foi solto por hábeas corpus concedidos pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, que considerou a prisão, da forma como foi feita, ilegal. Tal ato desencadeou contra o ministro reações de repúdio da parte de juízes, que se solidarizaram com o juiz Fausto Martins De Sanctis que mandara prender Dantas duas vezes, e de promotores, sendo que chegou a ser aventada a idéia de impeachment do presidente do STF. Mas enquanto o caso se desenrola no vai vem do prende e solta cabe indagar o que significa tudo isso.

Será que houve apenas o legitimo anseio de cumprir a lei, da parte do delegado e do juiz? Mas se isso é verdade, por que nenhum petista envolvido foi preso?

Será que tudo não passa de manobra política para fortalecer ainda mais o Executivo e destruir o Judiciário? Afinal, a rebelião de juízes e promotores contra a instância máxima da Justiça significa a quebra total da hierarquia e o achincalhamento do STF.

Será que tudo não passou de uma ação mirabolante de um delegado que se compraz na luta de classes e combate os ricos para dar à sociedade aquele delicioso prazer da vingança contra os poderosos?

Será que foi uma manobra de Tarso Genro, ministro da Justiça, para tomar o lugar da mãe do PAC na próxima disputa presidencial?

Seja lá o que for o caso demonstra que há um perfeito conluio entre o poder político e econômico. Mas se perguntado ao simples cidadão o que ele acha sobre esse fragoroso escândalo, provavelmente ele responderá não tem conhecimento ou entendimento do que está se passando.

Além do mais, no nível de degradação moral a que chegamos, o brasileiro comum é aquele que diz que não devolveria dinheiro alheio se encontrasse, que aceita por qualquer pagamento ser laranja, que gosta mesmo é de ligar a TV e assistir um jogo do Corinthias. O brasileiro seja rico ou pobre é fácil de comprar, pois está sempre em liquidação.

Neste contexto a maioria se compraz na adorável zorra total, misto de circo e máfia que faz as delícias dos poderosos e dos bagrinhos espertos que sabem achacar pedindo: “Dá dois pau ai pra mim, ô meu”.


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